Instruções para uma boa leitura:
Deve-se, por conseguinte, elevar a imaginação até um grande relógio preto e branco, onde só se vê o salto vermelho brilhante do sapato 36 e o prateado do zíper da graciosa jaqueta.
Deve-se imaginar longos cabelos nas personagens e esquecer da contagem de Tempo.
Grata.
Te vejo saltando por entre os ponteiros do relógio. Um pé de cada vez: ora no ponteiro do segundo, ora no ponteiro do minuto, ora no ponteiro das horas! Ora, ora ora!
E num desses pequenos pulos, seus pés desequilibram e você permanece pendurado no Tempo.
O tempo então te arrasta por entre suas frestas e canta ao seu ouvido: Wish You Were Here...
Está com sua jaqueta de couro, que te leva a crer que sim menino, pode tudo! A jaqueta, sua jaqueta, aponta o pequeno zíper para uma moça que por obra do Acaso, também está presa no Tempo: quebrou o salto no pulo entre o minuto e o segundo, bem no momento em que o senhor meia noite se anunciava.
Ambos se olham, um olhar estranho e temporal. Um olhar musical e enérgico.
Conseguem se reerguer em seus devidos ponteiros e decidem: Caminharemos pelo Tempo, pelas horas, minutos, só não os segundos porque passam depressa, mas caminharemos brincando e ouvindo o bater do ziper na jaqueta que dá asas.
How I wish, how I wish you were here... Cantam juntos querendo substituir o Feliz Aniversário. Data que marca um tempo que queria ser esquecido. Talvez lembrar somente dos dias pares, pra não ter que passar pelos ímpares... Impossível, já se sabe.
Acaso? Apadrinhou o acidente entre o desequilibrio dos pés e a quebra do salto.
Tempo e Acaso. Amas de leite para a, como é mesmo seu nome?
Amizade. Repete baixinho: Wish You Were Here.
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Com Sophia